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sábado, 5 de dezembro de 2009



Direitinho declaro o que, durando todo tempo, sempre mais, às vezes menos, comigo se passou. Aquela mandante amizade. Eu não pensava em adiação nenhuma, de pior propósito. Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava (...). Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre (...). Com que entendimento eu entendia, com que olhos era que eu olhava? Eu conto. O senhor vá ouvindo. Outras artes vieram depois.
(...)
Então eu vi as cores do mundo.
(...)
Entendi aquele valor. Amizade nossa ele não queria acontecida simples, no comum, sem encalço. A amizade dele ele me dava. E amizade dada é amor. Eu vinha pensando, feito toda alegria em brados pede: pensando por prolongar. Como toda alegria, no mesmo momento, abre saudade. Até aquela - alegria sem licença, nascida esbarrada. Passarinho cai de voar, mas bate as asinhas no chão.



...nós dois. A gente dava passeios (...) Era um delém que me atirava para ele - o irremediável extenso da vida (...) E eu me esquecia de tudo, num espairecer de contentamento, deixava de pensar. Mas sucedia uma duvidação (...): eu versava aquilo em redondos e quadrados. Só que o coração meu podia mais. O corpo não traslada, mas muito sabe, adivinha se não entende.


Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo - é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é.

Diz-que-direi ao senhor o que nem tanto é sabido: sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.

Confiança - o senhor sabe - não se tira das coisas feitas ou perfeitas: ela rodeia é o quente da pessoa.



Por João Guimarães Rosa, em 'Grande Sertão: Veredas'
UMA CARTA EM FORMA DE POESIA

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira,
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas
E outros não-afazeres.

É a cor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tampouco essas palavras-
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança.

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

Por João Cabral de Melo Neto.
CIGANA – GIPSY
(SHAKIRA- TRADUZIDO PARA O PORTUGÊS)

Quebrei o meu coração na estrada
Passei o fim de semana costurando os pedaços de volta

Lápis e bonecas passam por mim
Caminhar fica tão chato
Quando se aprende a voar

Não sou do tipo caseira
Desligue-se
E quem sabe o que poderá encontrar

Não confessarei todos os meus pecados
Você pode apostar que eu tentarei mas nem sempre se pode vencer

Porque eu sou uma cigana
Você vem comigo?
Eu posso roubar suas roupas
E vesti-las caso me sirvam

Eu nunca fiz acordos
Como uma cigana
E eu não vou recuar
Porque a vida já me machucou

E eu não vou chorar
Sou muito jovem para morrer
Se você quiser me deixar
Porque eu sou uma cigana

Porque sou uma cigana

Eu não posso esconder o que fiz
Cicatrizes me lembram
De quão longe vim
A quem possa se interessar
Apenas corra com tesouras
Quando você quiser se machucar

Porque eu sou uma cigana
Você vem comigo?
Eu posso roubar suas roupas
E vesti-las caso me sirvam

Eu nunca fiz acordos
Como uma cigana
E eu não vou recuar
Porque a vida já me machucou

E eu não vou chorar
Sou muito jovem para morrer
Se você quiser me deixar
Porque eu sou uma cigana

Eu disse "Ei, você não é um idiota se disser não"
Não é assim que a vida acontece?
As pessoas temem o que elas não conhecem
Venha aqui passear
Venha aqui passear

Porque eu sou uma cigana
Você vem comigo?
Eu posso roubar suas roupas
E vesti-las caso me sirvam

Eu nunca fiz acordos
Como uma cigana
E eu não vou recuar
Porque a vida já me machucou

E eu não vou chorar
Sou muito jovem para morrer
Se você quiser me deixar
Porque eu sou uma cigana

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

NOVENA MILAGROSA DE STA. TEREZINHA DAS ROSAS

Festa: 01 de Outubro. Comemora-se todo dia 01.


Esta novena pode ser começada em qualquer dia do mês; há um grande número de amigos de Santa Terezinha que fazem a novena entre os dias 9 e 17 de cada mês.

0RAÇÃO - "Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos agradeço todos os favores, todas as graças com que enriquecestes a alma de Vossa serva Santa Terezinha do Menino Jesus, durante os 24 anos que passou na terra e, pelos méritos de tão querida Santinha, concedei-me a graça que ardentemente Vos peço (faça o pedido da graça que deseja) - se for conforme a Vossa Santíssima vontade e para salvação de minha alma. Ajudai minha fé e minha esperança, ó Santa Terezinha, cumprindo mais uma vez sua promessa de que ninguém Vos invocaria em vão, fazendo-me ganhar uma rosa, sinal de que alcançarei a graça pedida. "Reza-se em seguida 24 vezes: "Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos, amém." Santa Terezinha do Menino Jesus, rogai por nós.

Rezar 1 Pai-Nosso, 1 Ave Maria

terça-feira, 24 de novembro de 2009


LEOPEIXE

Eu comecei a embrulhar dentro de mim....Necessitando digerir essa história.... Poderia ser um conto, mas não foi. Foi uma amável mocinha que me contou. Era uma menininha de olhar bem dilatado.
Ela me disse, um dia, que existia um peixe e um leão que se matrimoniaram e foram morar em viladoce. Ela disse que esse lugar fica a uma pequena distância daqui...
O Daqui, ela disse que é de onde a gente estiver que eu não me apegasse com o “Daqui”.
A história da menina começou quando ela chegou para mim e disse:
“Você sabe como se chama o nome do filho do casamento do leão com o peixe?”
Eu na minha descrença adulta respondi:
“Não existe casamento entre o leão e o peixe. Um mora na terra outro mora na água... um é pequeno o outro é grande.... um é peixe o outro é leão”.
Não foi má vontade, eu apenas fiquei preocupada com a grande “irrealidade” da mocinha.
A menininha retrucou. Ela estava com um semblante engraçado.Perplexa com a minha resposta. Escabriei-me. Não queria a desiludir. Pancadas de realidade, para tão pouca idade. Eu deveria ter dito que acreditava no lindo casamento entre...
Mas, a minha realidade....
Com afirmação respondeu calmamente e com espanto por eu duvidar:
Existe sim e o nome dele é Leopeixe.
Eu dei risada, alisei a cabeça da garotinha e fiquei com um leve incômodo dentro de mim.
Leopeixa?
Que gracinha você.
O troço pequeno deu foi risada de mim. Encabulei-me.
Será que sou uma psicótica e seca que não acredita em divagações?
Eu vou precisar de alguns dias para digerir esse nascimento, quer dizer, suposto nascimento.
Existe sim.
A “coisica” pequena linda, mais que peste na minha cabeça.
Ela tinha duas “botocas” de olhos azuis redondos a me olhar.
Contraditório, não?
Olhei para ela e perguntei: E como é que eu faço para eu acreditar na sua história se eu não estou vendo mocinha?
Sinta, apenas isso, você deixou de sentir.
Uma lágrima escorreu do meu olho. Depois outras, uma enxurrada. Afoguei em mim.
Foi aí que de repente, não mais que de repente,
Para “aê” o conto, para “aê” o conto. Ta virando bobagem... Eu estou entrando na história dessa fedelha...Para “aê”....
....
LEOPEIXA chegou e me tirou do sufoco.... Sem ar, e eu respirei.
Agora eu acredito, ela EXISTE. Para aêeeeeeeeeeee......
Voltando....Mocinha, Leopeixa precisa melhorar a sua dubiedade. Duas coisa numa só?
Pois não concordo, eu a amo assim, disse a mocinha ousada.
Você é atrevida mesmo!
Ela sorriu, chegou mais perto de mim, alisou meu rosto e me abraçou com ternura.
Pera para aê o conto...Vai fuuuud minha cabeça....
Para aê o conto....
Eu sem que Leopeixa entrou em mim...e Não mais...
Para ^......
Nessa “dialogação” toda de peixes e leões, eu me perdi do que era lógico e sem lógica. Eu não podia mais duvidar do que meus olhos ESPANTADOS me faziam ver LEOPEIXA....Não paro mas essa história.
Obrigada cãozinho. Mocinha.
Me deixe víu?!Será que estou ficando velha???????????
Edward Hopper
Saudadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Edward Hopper

Edward Hopper

Magritte


Amor,
Só por te amar, tanto, que entendo as desrazões do tempo. Só por te amar, resolvi silenciar e talvez não te ter. Só por te amar eu aperto bem apertadinho aqui o coração e te ouço falar.
só por apenas te amar e ser tão forte te livro das amarras da paixão que foi e virou amor profundo.
Amor eu fiquei com muito de você em mim, então, meu corpo te parece.E vejo que teus olhos tem algo que se assemelham aos meus.
Amor, talvez, nunca entenda esse amor, nem eu, rs.
Estou tentando entender... Depois de você, será que amarei outro alguém?Sim claro!Ele esta chegando... Eu achei em histórias vividas de tempos antigos que o que eu havia vivido era amor.Foi não,foi história, engraçada para se contar. Amor quando é verdadeiro, é livre, sem pressa, com desejo de sucesso mútuo. Grata amor, por ter me ensinado tanto.Amor, tive um gosto tão imenso do que é esse sentimento verdadeiro por alguém, sem cobrar e esperar nada em troca, com você.
Amor, te quero ver brilhar. Eu acalmo minha alma para deixar outros novos entrarem, Estou muito tranquila com isso. Nada tem haver com o amor que sinto por você.
Amor, case, tenha filhos, brilhe eternamente.
A gente se encontra nos campos de morangos.
Lá no fundo da sua alma você sabe que nosso amor é encontro de destino, sem romantizar, só olharmos as circunstâncias dos acontecimentos e como você re-apareceu...
Te amo com vontade de que o mundo seja lindo para nossas vidas livres.
Snif!De saudades!
Tem um estrangeiro tão perto dos meus sonhos...Acho que casarei com ele,sonho tanto com isso, serei mais do que feliz.Terei filhos e uma se chamará Maria Flor e se for menino, Tom.
Te amo olhos de caledoscópio.
Não deixe eu ir.E me deixe solta.
Vamos sempre cuidar dessa ternura, seja ela que nome se possa dar, para você ou para mim.
Quando nascer UM DIA seu filho coloca o nome dele Arthur. Era o nome do meu padrinho.E se for menina, Maia.
Olha, não ligo para as classificações do amor.
Não ligo.
Nome para mim não é nada.
E casamento também não.
sentimento é a plenitude da realidade.
By happy, please!
Beijocas!
ME DESPEDI DAS AMARRAS A ALGUM TEMPO, DEIXEI O SENTIMENTO VIVER SÓ POR ELE, NO PLANETA ASTRAL.RS.



strawberry fields forever
Música beatles

Deixe-me te levar
Porque eu estou indo aos
Campos de morangos
Nada é real
Não há por que esperar
Campos de morangos para sempre

Viver é fácil com os olhos fechados
Sem entender o tudo que você vê
Está ficando difícil ser alguém
Mas tudo parece funcionar bem
E isso não é muito importante pra mim

Deixe-me te levar
Porque eu estou indo aos
Campos de morangos
Nada é real
Não há por que esperar
Campos de morangos para sempre

Acho que não tem ninguém na minha árvore
Quer dizer, deve estar alto ou baixo
Ou seja, você sabe que não pode entoar
Mas tá tudo certo
Assim, penso que não é tão ruim

Deixe-me te levar
Porque eu estou indo aos
Campos de morangos
Nada é real

Não há por que esperar
Campos de morangos para sempre

Sempre, não, às vezes, acho que é me
Mas você sabe que eu sei quando é um sonho
Penso que, er, não quero dizer, er, sim
Mas é tudo tão errado
Isso é que eu acho que eu discordo

Deixe-me levá-lo para baixo
Cause I'm going to
Strawberry Fields
Nada é real
E nada de ficar pendurado sobre
Campos de morangos para sempre
Campos de morangos para sempre
Campos de morangos para sempre



sábado, 21 de novembro de 2009

SE...
Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...
Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança,
Entre o clarão do inferno e a luz do céu
risonho...
Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...
Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...
Se vivendo entre o povo és virtuoso e nobre...
Se vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...
Então, óh ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...
Titulo original: "If...", de Rudyard Kipling (Escritor e poeta inglês dos séculos XIX e XX)
Tradução de Félix Bermudes